Para parceiros
O teu parceiro diz ser mulher.
Vives anos com o mesmo homem — e, do nada, ele é outra pessoa. Ouves que tens de "celebrar" ou "compreender". O que sentes é diferente: choque, raiva, luto, confusão. Tudo legítimo.
Primeiro: isto é uma forma de perda
O que vives é luto. O homem com quem casaste, o homem com quem tiveste filhos, o homem que conhecias — esse, de facto, foi-se, mesmo que o corpo dele ainda ande pela casa. Essa perda tens direito a sentir. Aliás, tens de a sentir, senão ficas presa.
Ouves frequentemente que "não é sobre ti" e que tens de "apoiar". Não é justo. Também é sobre ti. A tua vida muda na mesma semana que a dele, sem que tu tenhas pedido seja o que for.
A culpa não é tua
Cedo ou tarde virá a pergunta: devia ter visto isto? Devia ter feito algo diferente na nossa relação? Foi por causa de algo que fiz ou não fiz?
A resposta é não. A AGP é algo que está num homem, geralmente desde a puberdade, frequentemente escondido de todos — inclusive dele próprio. O facto de só agora se manifestar tem a ver com a cultura online, com o tempo, com acontecimentos de vida. Não contigo.
O que tens de descobrir é: o que vais fazer com isto. Não o que ele quer que faças. O que tu consegues.
O que não tens de fazer
Não dizer "ela" se isso não te sai. Ninguém pode mudar a tua linguagem por ti.
Não fingir que nada mudou. Mudou imenso. Ignorá-lo é mentir a ti própria.
Não entrar nas mesmas redes sociais. As comunidades online empurram-te para a afirmação. Não tens de ir.
Não te calares. Não dizer nada a ninguém reforça o isolamento.
O que sim
Procura quem passou pelo mesmo — para ti. As mulheres de homens com AGP formam grupos por todo o mundo onde se fala de coisas que não dizes em mais lado nenhum.
Cuida das tuas finanças. Mantém vista sobre contas conjuntas. Em transição social ou médica, o pacote de vida pode mudar.
Protege os filhos. Os filhos não têm de dizer "minha mãe pai". Os adultos podem escolher por si — os filhos são arrastados.
Fala com um advogado independente sobre os teus direitos, sobretudo em caso de divórcio ou acordos de visita.
Come, dorme, mexe-te. Soa simples. Torna-o importante.
Podes traçar um limite
Nem todas as mulheres conseguem ou querem ficar. Nem todas querem sair. Ambas as escolhas são legítimas.
O que não é legítimo: que outros — profissionais, família, vozes online — te digam que ficar é a única resposta "amorosa". Amor não é o mesmo que apagar-te por alguém que segue uma direção totalmente diferente daquela pela qual vocês optaram juntos.
Tens também uma vida que continua. Reconhecê-lo não te torna má pessoa.